18 de fevereiro de 2008

Vou contar-te um segredo

"A pouco e pouco comecei a perceber que não há respostas para tudo. E as poucas que existem, ou são erradas ou são absurdas.
E é então que baixo os braços, entrego as armas e desisto a favor do silêncio, que é tudo o que me resta. Mas o silêncio nunca traz respostas, instala-se como um tirano que ocupa todas as casas e jardins do Mundo, que manda prender e torturar todos os que falam, que se esconde atrás da indiferença, do desinteresse, do vazio, da distância, tentando convencer-me de que é melhor assim, como se as palavras vivessem todas na caixa de Pandora e fosse um crime para a humanidade abri-la e deixa-la respirar.
Um dia destes faço um furo na caixa, daqueles invisíveis, tipo formiga branca, e começo a ver as palavras a sair numa coluna de fumo, uma a uma, quase sem se dar por isso. Pode ser que, então, finalmente, saiam as palavras certas, poucas, sempre poucas, as suficientes, porém, para te fazer voltar ao mundo em que éramos quase sempre felizes, com ou sem elas."



Margarida Rebelo Pinto

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